BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 07 jul 2026 15:08 Data de Atualização: 07 jul 2026 15:13
Braian Robson dos Santos Ferreira é estudante do curso de licenciatura em Química do Câmpus São José do IFSC e passou três meses participando de uma pesquisa no Instituto Politécnico de Viana do Castelo, em Portugal, pelo nosso programa de intercâmbio, o Propicie. Ele atuou no projeto “Pedagogia Inteligente: integrar IA na sala de aula de estatística”.
Leia seu relato abaixo sobre os últimos dias desta experiência:
O encerramento deste período de mobilidade no IPVC, assim como o desenvolvimento do projeto com a professora Doutora Helena Sofia Rodrigues, representa um grande marco pessoal e acadêmico na minha trajetória. Se o primeiro mês foi reservado à adaptação em Portugal e às diferenças entre fazer pesquisa aqui e no Brasil, estes últimos meses foram marcados por intensos aprendizados. No projeto, pude aprofundar conceitos que eu já estudava junto ao meu professor orientador no IFSC, o Doutor Humberto Luz Oliveira; além disso, a experiência me permitiu construir uma visão mais ampla de mundo, conhecendo novos lugares, culturas e pessoas, tanto no ambiente do IPVC quanto nos países vizinhos que visitei.
A condução do projeto foi finalizada de forma satisfatória nesta primeira semana de junho, resultando na submissão de um artigo científico para uma revista especializada, fruto do desenvolvimento realizado nesses três meses. A investigação qualitativa concentrou-se em analisar a produção dos estudantes em dois momentos distintos: o uso inicial da Inteligência Artificial sem fundamentação teórica prévia e, posteriormente, a utilização dessas mesmas ferramentas aliada ao arcabouço estatístico construído em sala de aula. Os principais resultados apontam que, embora a IA ofereça respostas mecanicamente corretas, a ausência de letramento estatístico gera uma aceitação acrítica dos resultados. Em contrapartida, após a mediação docente, observou-se um salto qualitativo: os alunos passaram a utilizar a tecnologia como uma ferramenta de otimização, e não como substituta do pensamento crítico.
Academicamente, embora o projeto não tenha sido estritamente na área da Química, trabalhar sob a orientação da professora doutora Helena Sofia Rodrigues no IPVC, em constante diálogo com as bases que já vinha desenvolvendo com o professor Humberto Luz Oliveira no IFSC, expandiu significativamente meus horizontes metodológicos. Pude refletir sobre novas formas de integrar os sistemas de IA em sala de aula e compreender como eles interferem, positiva ou negativamente, no processo de ensino-aprendizagem. Além disso, a condução do trabalho de forma majoritariamente remota e a flexibilidade de horários exigiram adaptações no meu ritmo de pesquisa.
Apesar das dificuldades iniciais com a autogestão, hoje percebo o quanto evoluí: não apenas utilizei as habilidades técnicas referentes ao projeto, mas também desenvolvi competências interpessoais, como a disciplina e a autorresponsabilidade. No plano pessoal e cultural, a experiência foi igualmente enriquecedora. A oportunidade de vivenciar o cotidiano no IPVC e viajar para conhecer novas culturas expandiu significativamente minha visão de mundo. Essa imersão internacional me permitiu perceber, de forma muito clara, as imensas potencialidades do Brasil nas mais diversas áreas, com especial destaque para a educação. Longe de estarmos atrás de outras nações, pelo contrário, retomo com a certeza de que nossas instituições e profissionais possuem uma capacidade técnica e pedagógica de excelência.
Minha principal recomendação aos próximos intercambistas é que criem laços genuínos com seus colegas de mobilidade. Estar longe de casa, da família e da nossa rotina no Brasil impõe desafios práticos e emocionais que só quem está vivendo a mesma experiência consegue compreender de verdade. A rede de suporte que construí em Portugal foi fundamental para o sucesso deste intercâmbio, e tenho certeza de que meus colegas compartilham desse sentimento. Desenvolver essa cumplicidade e parceria não apenas torna as dificuldades do cotidiano muito mais leves, mas também multiplica a alegria de cada viagem e conquista alcançada. Não passem por isso sozinhos; viajar juntos e conhecer novos lugares pela primeira vez será uma experiência sem igual.
Por fim, posso dizer que minhas expectativas não apenas foram atendidas, mas felizmente superadas. Retorno ao Brasil e à licenciatura em Química no IFSC com novos olhares sobre meu próprio país e sobre a educação de forma geral, consciente do privilégio que tive e tenho de estudar nesta instituição, bem como do meu papel individual e dos meus deveres como futuro professor.
Intercâmbio no IFSC
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