EXTENSÃO Data de Publicação: 29 ago 2025 10:49 Data de Atualização: 29 ago 2025 15:57
O Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) esteve presente na quarta edição da Conferência Nacional de Economia Popular e Solidária (Conaes), realizada de 13 a 16 de agosto em Luziânia (GO). A instituição integrou a delegação catarinense com servidores e estudantes representando diferentes regiões do estado. O grupo participou de discussões e contribuiu para a aprovação de 80 propostas que irão compor o 2º Plano Nacional de Economia Popular e Solidária, documento que orientará políticas públicas para o setor.
A conferência reuniu mais de 1,5 mil delegados de todo o país, representando governos, entidades, movimentos sociais e empreendimentos solidários. O evento marcou a retomada desse espaço de participação social, que não era realizado desde 2014, e resultou em propostas voltadas para produção, comercialização, financiamento, educação, assessoramento técnico e ambiente institucional.
Representação catarinense e a vivência local
Para o professor Janilson Loterio, do Câmpus Chapecó, a presença do IFSC reforçou o papel da instituição como agente de apoio ao fortalecimento da economia solidária no estado e no país. "Foi fundamental mostrar que o Instituto Federal está aberto ao diálogo com a sociedade e consolidou, nos últimos anos, uma política de apoio aos empreendimentos solidários. A presença dos nossos estudantes como delegados reafirma o compromisso com a juventude e com a formação cidadã", destacou.
O Câmpus Chapecó é referência na área desde 2010, quando incluiu a disciplina de Economia Solidária nos cursos técnicos integrados – iniciativa pioneira que contribuiu para a formação crítica dos estudantes e o engajamento em projetos comunitários. Durante a conferência, duas alunas do câmpus participaram como delegadas. Para Janilson, esse é um dos pontos centrais do debate: a necessidade de aproximar a juventude da economia solidária.
A técnica em Assuntos Educacionais Ana Lucia Falco, que atua diretamente com empreendimentos solidários em Jaraguá do Sul e Joinville, considera a conferência um marco histórico de construção coletiva. "Fazer parte de um momento tão importante, discutindo e construindo, colaborativamente, as propostas que servirão de base para o 2º Plano Nacional de Economia Popular e Solidária, foi muito especial. Poder representar o estado que escolhi para viver e criar minha família e o IFSC – que não é apenas o meu local de trabalho, mas uma instituição comprometida com cidadania – foi uma experiência incrível", destacou.
Ela ressaltou que sua participação nas etapas regionais e estaduais da conferência, desde 2024, foi essencial para enriquecer os debates nacionais. "Venho me aproximando dos empreendimentos solidários da região, conhecendo de perto suas histórias e demandas. Isso fez toda a diferença, porque cheguei à 4ª Conaes com um olhar mais sensível e consciente das dificuldades e das potencialidades locais. Assim, pude contribuir de forma mais qualificada para os debates nacionais", avaliou.
Segundo Ana, a conferência garantiu espaço para que diversos segmentos sociais fossem ouvidos. "Grupos que muitas vezes são invisibilizados – como jovens, catadores, usuários dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), população rural, mulheres negras, movimento feminista e LGBTQIA+ – tiveram protagonismo e conseguiram colocar suas pautas com clareza", destacou.
Entre as demandas aprovadas estão políticas públicas específicas, acesso a crédito e finanças solidárias, formação, saúde mental, apoio técnico e canais de comercialização. Além disso, destacaram-se demandas por inclusão digital, segurança jurídica e o fortalecimento das redes locais e territoriais. Para Ana, ver essas pautas refletidas na proposta nacional é um passo importante rumo a uma economia mais justa, diversa e representativa.
Janilson reforça que algumas propostas terão impacto direto para a realidade de Santa Catarina. Entre elas, as que ampliam o protagonismo da juventude e as que preveem editais de pesquisa e extensão em economia solidária em ministérios como Educação, Trabalho e Inovação. "Firmar essas políticas é essencial para o avanço da economia solidária. Nesse processo, o IFSC deve estar à frente, tanto no contato com os jovens quanto na aplicação de tecnologia neste campo", afirmou.
Extensão como ferramenta de transformação
Coordenadora de Extensão e Eventos do Câmpus Jaraguá do Sul – Centro, Ana destacou que a Conaes evidenciou a importância do fortalecimento das redes, da formação e da inclusão da economia solidária como prática educativa. No câmpus, diversas iniciativas já colocam em prática esse compromisso, como feiras organizadas por estudantes, ações de escuta com empreendimentos solidários de Joinville e projetos com a Associação Livremente, que atende usuários dos CAPS em Jaraguá do Sul.
Essas experiências unem aprendizado, sustentabilidade e inclusão social, em sintonia com as diretrizes nacionais.Para Ana, os próximos passos envolvem ampliar o mapeamento de empreendimentos solidários na região, estreitar laços com agentes ligados ao Programa Paul Singer, envolver estudantes e grupos ou movimentos da comunidade externa em projetos mais estruturados com essa temática.
"Também vejo como fundamental criar novas incubadoras de economia popular nos Institutos Federais e fortalecer as já existentes, porque são espaços que realmente apoiam, formam e assessoram os empreendimentos nos territórios. Outro ponto importante é levar esse assunto para as disciplinas, como tema transversal, para que os estudantes possam refletir criticamente sobre modelos econômicos mais justos e sustentáveis", disse.
Mobilização para transformar propostas em políticas públicas
Ana destacou que a prioridade agora é regulamentar a Lei Nacional de Economia Popular e Solidária, aprovada em 2024, e garantir a elaboração e aprovação do 2º Plano Nacional de Economia Popular e Solidária, com base nas deliberações da Conaes.
Para Janilson, o trabalho realizado na conferência também fortalece a atuação da Rede IF EcoSol – articulação de servidores dos Institutos Federais de Educação (IFs) pelo fortalecimento da Economia Solidária nos Institutos e seus territórios – ao ampliar as ações pedagógicas e de extensão. "Esse movimento complementa a missão do IFSC de dialogar com a sociedade e atender os grupos que mais precisam. Acredito que, com isso, colocaremos o Instituto em outro patamar no debate sobre economia solidária no Brasil", concluiu.