SEPEI Data de Publicação: 28 ago 2026 17:40 Data de Atualização: 28 ago 2026 19:02
Na tarde desta sexta-feira, 28 de agosto, o 12º Seminário de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação do IFSC (Sepei 2026) promoveu uma discussão sobre os caminhos para aproximar a formação acadêmica do mundo do trabalho. A palestra Empregabilidade dos egressos e parcerias com o arranjo produtivo local foi ministrada pelo vice-reitor da Universidade Politécnica de Setúbal (Unips), Carlos Mata, e apresentou iniciativas desenvolvidas pela instituição portuguesa para fortalecer a inserção profissional de seus estudantes.
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Realizado no Câmpus Caçador, o encontro também marcou um novo passo na aproximação entre o IFSC e a instituição portuguesa. Pela manhã, o reitor do IFSC, Zízimo Moreira Filho, e o vice-reitor da Unips, Carlos Mata, assinaram uma Carta de Intenções que manifesta o interesse das duas instituições em aprofundar a cooperação internacional e estabelecer, futuramente, um programa de dupla titulação envolvendo o curso de graduação em Engenharia Civil do Câmpus Florianópolis e o curso de Mestrado em Engenharia Civil da Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, da Unips.
Formação conectada ao mundo do trabalho
Durante a palestra, Carlos Mata apresentou a estrutura e as iniciativas da Universidade Politécnica de Setúbal, instituição pública de ensino superior que possui cerca de 8 mil estudantes, 24 mil egressos, 800 professores e 225 técnicos. A universidade atua em áreas como engenharias e tecnologias, ciências sociais, educação e desporto, ciências empresariais, saúde, sustentabilidade, indústria e tecnologias digitais.
Entre as características destacadas pelo vice-reitor está a aproximação entre a formação acadêmica e as necessidades do mercado de trabalho. Na Unips, essa estratégia envolve cursos desenvolvidos em parceria com empresas, estágios integrados à formação e aprendizagem baseada em desafios reais, por meio de metodologias como o Project-Based Learning.
Carlos Mata destacou a importância de proporcionar aos estudantes experiências concretas no ambiente profissional. “Permitir a prática dentro da organização – gosto muito da expressão ‘viver a organização’ – é muito importante para o aluno, porque não basta estar na sala de aula. É importante viver e perceber qual é a rotina de uma empresa”, explicou. Na avaliação de Mata, essa aproximação deve começar ainda na construção dos cursos, de modo que a formação esteja conectada às demandas profissionais.
Preparação para o mercado
A instituição portuguesa desenvolve ações específicas de preparação para a carreira, como feiras de emprego e estágios, workshops, seminários, programas de mentoria e o chamado Passaporte para o Emprego. A iniciativa reúne atividades voltadas ao desenvolvimento de competências e à preparação dos estudantes para os processos de inserção profissional.
Na edição deste ano, o Passaporte para o Emprego reuniu 24 workshops, 16 organizações parceiras e 30 profissionais convidados, com mais de 1,2 mil estudantes inscritos. Entre os temas trabalhados estão elaboração de currículo, entrevistas, LinkedIn, networking, marca pessoal, comunicação, pensamento crítico, inteligência emocional, inteligência artificial e literacia financeira.
A aproximação com o setor produtivo também ocorre por meio de ferramentas como o Portal de Emprego, que conecta estudantes e egressos a empresas, e a Semana da Empregabilidade, que reúne empresas e comunidade acadêmica. Em 2026, a feira de emprego contou com mais de 120 empresas parceiras.
Acompanhamento dos egressos
O modelo apresentado por Carlos Mata também inclui o acompanhamento da trajetória profissional dos egressos. Dados do estudo mais recente apresentado na palestra, referente à geração de formados entre 2022 e 2023, indicam que nove em cada dez ex-alunos da Unips conseguiram emprego em menos de seis meses. O levantamento aponta ainda que 68,3% dos egressos trabalham em uma área diretamente relacionada à formação e que 75,4% classificam como boa ou muito boa a adequação do curso ao mercado de trabalho.
Para o vice-reitor, manter uma relação próxima com esses alunos é estratégico não apenas para acompanhar sua vida profissional, mas também para fortalecer a própria instituição. “Os egressos são embaixadores da instituição. A manutenção dessa proximidade é essencial, tanto para contribuir com aquilo que são suas experiências no mercado de trabalho quanto para voltarem a estudar, eventualmente, em um mestrado ou em outras áreas de formação".
O Programa de Mentoria Alumni é um exemplo dessa estratégia. A ação aproxima estudantes de egressos da Unips com pelo menos cinco anos de experiência profissional. Na nona edição, realizada em 2025-2026, o programa contou com 84 equipes e recebeu avaliação global de 9,1, em uma escala de zero a dez.
Novos desafios para instituições e empresas
Além das estratégias já adotadas pela instituição portuguesa, Carlos Mata ressaltou que a aproximação entre instituições de ensino, estudantes e empresas passa por mudanças no próprio perfil das novas gerações. Para ele, os estudantes têm buscado cada vez mais experiências que ultrapassam a formação acadêmica e a inserção profissional tradicional. “O estudante quer viver, quer ter uma experiência. E, quando termina a sua formação, muitas vezes nem pensa logo no trabalho”, observou.
O vice-reitor citou como exemplo a crescente busca por experiências internacionais e por modelos de trabalho mais flexíveis. Em Portugal, segundo ele, há egressos que demonstram interesse pelo teletrabalho e por formas de conciliar a atividade profissional com outros projetos de vida. “A empresa, muitas vezes, vai ter que se adaptar àquilo que são os interesses dessa nova geração, que quer viajar, quer ter qualidade de vida... Não quer viver para trabalhar; quer conciliar a sua vida pessoal com a sua vida profissional”, afirmou.
Na avaliação de Mata, a mudança também exige que as instituições de ensino acompanhem as transformações do mercado. “As empresas vão ter que adotar novas práticas de trabalho. Para isso, precisam ter as ferramentas adequadas para que, quando o egresso for para o mercado de trabalho, já tenha experimentado esses instrumentos”, explicou.
Para identificar essas diferentes necessidades, o vice-reitor defende uma escuta mais próxima dos três principais atores desse processo: estudantes, egressos e empresas. “Só com essa conjugação – daí a importância de fazer grupos focais que reúnam essas três categorias – conseguimos conciliar e identificar, fazer o match entre os distintos interesses. Daí, teremos a fórmula de sucesso de todo este processo”, concluiu.
Confira a agenda de transmissões:
29 de agosto - sábado
- 11h - Jornada Startup IFSC - Pitch Final
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