ENSINO Data de Publicação: 05 out 2026 11:40 Data de Atualização: 05 out 2026 16:19
Um vídeo produzido por estudantes do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas do Câmpus São José do IFSC resgata histórias relacionadas à presença da população negra na formação histórica e cultural do município. A produção, chamada "Caminhos que falam", percorre quatro lugares do Centro Histórico de São José e apresenta personagens, memórias e manifestações culturais que ajudam a contar trajetórias afro-brasileiras na cidade.
O vídeo está disponível no canal do Câmpus São José no YouTube.
O vídeo é baseado no artigo “No entrecruzar da história, patrimônio e educação étnico-racial – uma experiência decolonial possível na educação de São José”, de Janaína Amorim da Silva e Mylene Silva de Pontes. A produção apresenta locais de interesse histórico e turístico e aborda aspectos do patrimônio material e imaterial, além da presença afro-brasileira e indígena e da construção da identidade cultural de São José.
O percurso começa pelo Museu Histórico Gilberto Gerlach, apresentado no vídeo como um espaço que guarda mais de 250 anos de memória josefense. Entre as histórias resgatadas está a de Tomásia, mulher negra escravizada que trabalhava como cozinheira no local onde hoje funciona o museu.
Do museu, o percurso segue até a Bica da Carioca, onde o vídeo recupera histórias relacionadas às lavadeiras. Entre elas estão Alcina e sua avó, apresentadas como mulheres que, além do trabalho com a lavagem de roupas, eram guardiãs de saberes relacionados à cura e à fé.
Outro ponto abordado é a Igreja Matriz, onde o vídeo destaca um pequeno altar ligado à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. Formada por pessoas negras, a irmandade mantinha manifestações de espiritualidade por meio de música, dança e devoção, mesmo sem possuir uma igreja própria.
O quarto lugar do percurso é a Praça Hercílio Luz, onde está localizado um monumento em homenagem à colonização açoriana. O vídeo apresenta também a trajetória de Pedro Leite, oficial de justiça, dançarino de cacumbi e pai de santo. Segundo a produção, ele organizava festas e blocos e contribuía para manter viva a cultura afro-brasileira.
Ao reunir esses quatro lugares e as histórias de seus personagens, o vídeo destaca trajetórias de luta, arte, espiritualidade e pertencimento que contribuíram para a formação de São José. A produção propõe que esses relatos sejam conhecidos e valorizados como parte da história e da identidade do município.
A produção foi realizada na disciplina Atividades de Extensão I, com orientação dos professores Eraldo Silveira, Saul Silva Caetano e Volmir von Dentz. Participaram da produção os estudantes Haydée Murara, Isaac Kozuchovski, Isadora Eidt e Kauana Bruna. O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas do Câmpus São José (Neabi) e a prefeitura de São José apoiaram a produção do vídeo.