JIFSC Data de Publicação: 10 jun 2026 20:13 Data de Atualização: 10 jun 2026 20:25
Já pensou em estudar num outro país, fazer amizades e ainda participar de um grande evento esportivo? Pois esta é a experiência pela qual estão passando os intercambistas matriculados nos cursos de ensino médio técnico e que vieram ao JIFSC Etapa Cursos Integrados. Além da vivência e de histórias para contar, eles esperam levar para casa também uma medalha de recordação dos jogos e do Brasil.
Os intercambistas Luigi Maria Savio, da Itália, e Paola Abigail Menchaca Pimentel, do Panamá, são dois exemplos deste tipo especial de atleta. Ambos estudam no curso técnico integrado em Química do Câmpus Jaraguá do Sul-Centro e decidiram expandir a experiência do intercâmbio defendendo a delegação jaraguaense nas quadras e pistas de atletismo.
Do futebol profissional ao futsal escolar: a trajetória de Paola
A panamenha Paola, de 18 anos, chegou a Santa Catarina em janeiro de 2025 por meio de um programa para jovens da associação internacional Rotary. Com término previsto para dezembro, o intercâmbio permitiu que ela trouxesse na bagagem sua experiência com o futebol de campo em um time profissional feminino sub-18 em seu país, o Club Internacional de Panamá.
No JIFSC, Paola trocou os gramados pelas quadras e assumiu a posição de titular na equipe de futsal feminino do câmpus, jogando como ala ou pivô. A equipe se preparou treinando de uma a três vezes por semana e a expectativa da estudante é levar Jaraguá do Sul ao pódio da competição.
Para Paola, a rotina de treinos e jogos complementa diretamente a vida escolar. “Eu acho que o esporte tem ajudado muito a minha concentração e a disciplina no estudo. Você aprende como organizar bem seu tempo e também tem mais estímulos para levar uma vida mais saudável”, comenta a intercambista do Panamá.
Esporte na escola: o desafio do atletismo para Luigi
Natural de Bérgamo, cidade próxima a Milão, Luigi tem 17 anos e está concluindo neste mês de junho seu período de dez meses no Brasil. Segundo o italiano, a realidade esportiva brasileira é muito diferente da que conhece na Itália, onde praticava basquete fora do ambiente escolar.
Como explica Luigi sobre a Itália, as pessoas de sua faixa etária vivenciam o esporte por meio de times de bairro, não em competições escolares. “O que falta em meu país e que aqui tem é o esporte na escola. Na Itália eu jogava basquete, mas no time do meu bairro. Na escola não há time esportivo”, conta.
Adaptado ao esporte coletivo, o estudante de Jaraguá do Sul aceitou o desafio de estrear no atletismo, competindo nas modalidades de 800 metros rasos, revezamento de 400 metros e salto em altura. Embora admita que nunca tenha treinado corrida de forma intensiva — seu passatempo favorito é fazer caminhadas de até 20 quilômetros para contemplar a paisagem —, ele vê os jogos como uma grande oportunidade. “Acho bom para conhecer pessoas, para criar autonomia, aprender a escolher o que quero ou não quero fazer. É um desafio legal”, afirma.
Para o estudante, o esporte e a rotina escolar também foram fundamentais para desconstruir preconceitos que tinha antes de viajar. “Para conhecer um lugar, um povo, é necessário vivenciar esse lugar, conhecer essas pessoas. O Brasil que encontrei é um Brasil totalmente diferente, com influências europeias, indígenas. Acho que a escola e o JIFSC permitem que a gente possa se integrar como uma sociedade”, destaca o italiano.
Experiência escolar e futuro profissional
Estar em um curso técnico de Química também gerou impactos distintos nos intercambistas. No caso de Luigi, a matrícula na área ocorreu por escolha da sua associação de intercâmbio. Apesar de ter mais interesse na área de humanas, ele ficou contente com a oportunidade. “Foi um caso legal porque são matérias que eu nunca estudei na minha vida. Eu acho que foi um meio para crescer como pessoa também”, comenta.
Fora das quadras, Luigi também se adaptou a mudanças recentes no IFSC e declarou seu apoio à proibição do uso de celulares em sala de aula, apontando uma melhora nas relações entre os estudantes. “Eu sinto a diferença, existe um melhoramento. É difícil quando tem uma mudança na vida, sempre temos dificuldades, mas ao longo do tempo vai mudar. O intercâmbio também é isso. Mas ao longo do tempo você vai se adaptar à mudança”, acredita.
Já para Paola, a experiência prática nos laboratórios do IFSC serviu para consolidar sua escolha profissional. No Panamá, ela já concluiu o que é equivalente ao ensino médio brasileiro, então planeja ingressar na faculdade assim que retornar ao seu país. No ensino superior, ela pretende seguir numa área correlata ao curso técnico, como Engenharia Química ou Engenharia de Alimentos.
Esta não é a primeira vez que intercambistas participam dos Jogos do IFSC. Em 2025, por exemplo, uma estudante australiana também representou o Câmpus Jaraguá do Sul-Centro e conquistou duas medalhas.